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17/10/2020

'Pedia desculpas e falava que não lembrava', diz mulher agredida a socos na Bahia; homem está foragido

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Foto: Reprodução

Franciele Azevedo fez relato numa rede social. Carlos Samuel é procurado pela polícia.

A mulher agredida por um homem com vários socos, em Ilhéus, no sul da Bahia, falou pela primeira vez sobre o ocorrido. A agressão foi gravada em vídeo e as imagens circulam pela internet. Em um post em uma rede social, Franciele Azevedo, de 26 anos, contou que vivia um relacionamento abusivo com Carlos Samuel Freitas e que sofreu várias agressões dele.

 

O homem, que tem 33 anos, teve a prisão preventiva decretada e é considerado foragido. A polícia segue com as buscas. O G1 tentou falar com o suspeito por meio de mensagem de celular, na manhã deste sábado (17), mas ele não respondeu.

 

"Me chamo FRANCIELE AZEVEDO o vídeo que está circulando, onde apareço sendo agredida sou eu. Portanto demorei para me posicionar pelo fato, que sempre achava ele iria mudar onde permaneci por um tempo no relacionamento abusivo, pois o mesmo depois de todas as vezes que me agredia me pedia desculpas e falava que não lembrava o que tinha feito e nem o porque tinha feito e no final a culpa era sempre minha", desabafou a vítima em um post feito na noite de sexta-feira (16).

 

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Ainda na publicação, Franciele relatou que a dificuldade quem tem para falar sobre as agressões, que deixaram dores físicas e emocionais também.

 

"Não é fácil para mim vim aqui falar sobre esse assunto onde várias pessoas me julgam, como se eu merecesse e sempre me culpando pelas as agressões, minha única culpa foi pensar que um dia ele mudaria, mas n mudou. Onde sofri pressões psicológicas, sigo hoje cheio de problemas e dores que essas agressões me causaram", disse.

 

Relacionamento abusivo

 

Franciele conversou com o G1 e contou que vivia em um relacionamento abusivo. Ela disse que conheceu Carlos Samuel pela redes sociais, no final do mês de março deste ano. Segundo Franciele, no início do relacionamento, o homem não tinha comportamento agressivo.

 

"No início ele não era assim. Com passar do tempo, ele mostrou quem era ele", disse.

 

A vítima contou que muitas vezes as agressões aconteceram por ciúme, mas que em outras bastava ela falar algo que o suspeito não gostasse para a situação se repetir.

 

"A gente foi a uma farra na casa de um amigo dele. No momento, ele estava usando meu celular, e eu esperando um celular, pois o dele queimou. Ele fala que eu que quebrei o celular dele, isso é mentira. Vi umas coisas no celular e peguei o celular. Ele veio com toda força, tomou celular que era meu da minha mão, me engarguelou e tentou me dar um soco, mas não pegou", relatou Franciele ao G1.

 

A jovem disse, ainda, que tentou pedir ajuda após a agressão, mas o ex-namorado a impediu. "Nesse dia, eu liguei para minha prima para ela me pegar lá porque ele tinha feito isso, liguei chorando. Ele não deixou eu ir, pediu desculpa, disse que ele não era assim. Como foi a primeira vez, achei que não ia acontecer mais", lembrou.

 

Homem está foragido

 

Carlos Samuel Freitas teve a prisão preventiva decretada na noite de quinta-feira (15), e está foragido desde a sexta-feira (16), quando a polícia fez buscas em endereços ligados a ele, mas não o encontrou.

 

O advogado do suspeito, Caíque Mota, disse que o cliente não vai se apresentar, por enquanto, e pediu à Justiça a revogação da prisão.

 

"Ele foi informado sobre o pedido de revogação da prisão, ontem ele cumpriu sua agenda profissional em outra cidade, haja vista que ele é representante comercial. Acredito que após a decisão judicial, caso não seja julgado favorável a sua revogação, o senhor Carlos irá se apresentar", disse o advogado.

 

Carlos Samuel Freitas chegou a prestar depoimento na Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (Deam), em Ilhéus, na quinta-feira (15), mas foi liberado por não haver flagrante e porque não existia mandado de prisão contra ele.

 

 

Agressões

 

Segundo a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Ilhéus, Carlos Samuel Freitas tem um longo histórico de agressões a ex-namoradas e mulheres da própria família, resultando em ao menos 11 boletins de ocorrência.

 

A agressão contra a ex-namorada foi gravada por vizinhos que presenciaram o ocorrido. [Veja no vídeo acima]. A vítima não registrou o caso na polícia, mas, após o vídeo da agressão se espalhar na internet, a polícia abriu inquérito e intimou a mulher, que já foi ouvida e confirmou a agressão.

 


Foto: Divulgação

 

O caso, segundo a polícia, aconteceu em junho deste ano, quando Carlos Samuel e a vítima ainda estavam juntos.

 

De acordo com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a notícia do fato foi encaminhada na manhã de quinta-feira ao órgão, que solicitou de imediato a documentação à autoridade policial para a adoção das medidas cabíveis.

 

Segundo o órgão, o pedido da prisão se fundamentou "na necessidade de resguardar a ordem pública, considerando-se a gravidade da conduta concreta (exacerbada violência empregada) e a condição reincidente do autor do fato".

 

O MP-BA informou que Carlos Samuel já foi denunciado em 2015 pelo Ministério Público por crimes de violência doméstica, ameaça e cárcere privado cometidos contra outra mulher. Ele foi condenado pela Justiça em primeira instância.

 

Ainda de acordo com o MP, após recurso impetrado pela defesa de Carlos Samuel, a condenação quanto ao crime de cárcere privado foi mantida, em agosto, pelo Tribunal de Justiça da Bahia, que reconheceu a prescrição referente aos crimes de violência doméstica e ameaça.

 

Ele também foi investigado pela Polícia Civil de Ilhéus após suspeita de extorquir a própria mãe, em 2017. No entanto, o inquérito não teve andamento porque a mãe de Carlos, segundo a polícia, não quis levar o caso adiante.

 

O que diz a Polícia Civil sobre os inquéritos

 

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que das ocorrências envolvendo Carlos Samuel, três são de violência doméstica. Os registros foram feitos na Deam de Ilhéus, com inquéritos já remetidos à Justiça.

 

Outros procedimentos estão em curso na unidade, entre eles o inquérito sobre a agressão registrada em vídeo. Há ainda um registro de crime contra a honra de uma ex-namorada, um de ameaça contra uma mulher fora do contexto da Lei Mara da Penha, além da ocorrência de maus-tratos contra a mãe dele, que foi feito por uma vizinha, em 2017.

 

Nos três últimos casos, as investigações não puderam avançar, de acordo com a polícia, pois as vítimas se recusaram a comparecer para dar mais informações sobre a violência sofrida.

 

Além dos casos registrados na Deam/Ilhéus, também há duas ocorrências de ameaça a uma adolescente, fora do contexto da Lei Maria da Penha, e um registro de ameaça e difamação contra um jovem do sexo masculino, em outras unidades da Polícia Civil.


Depoimento e carta

 

Carlos Samuel foi à unidade policial na tarde de quinta-feira. Ao delegado, Carlos contou que o caso em que foi flagrado agredindo uma mulher com vários socos, aconteceu no dia 20 de junho. Disse ainda que ele e a mulher tinham um relacionamento há seis meses e moravam juntos. O suspeito também falou que estava arrependido.

 

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Em nota divulgada pelo agressor na quinta, antes do depoimento, ele disse que é "um jovem trabalhador" e que não tem "envolvimento com algum tipo de prática criminosa. Carlos Samuel escreveu também que está arrependido do que fez, e que vai "sofrer as reprimendas judiciais conforme se prevê a lei".

 

O suspeito disse que ele e a vítima mantinham uma "relação muito conturbada, eivada de inúmeros casos de ciúme doentio, diversas agressões físicas e morais". Ele escreveu ainda que, no dia em que deu nove socos no rosto da vítima, estava bêbado, voltando de uma festa, e que as agressões aconteceram porque ele "perdeu a cabeça". 


G1

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