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15/09/2020

Câncer de mama: com qual frequência mulheres mais velhas devem fazer mamografia?

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Foto: Reprodução

Mulheres com mais de 75 anos recebem informações conflitantes sobre a necessidade e a frequência adequada da mamografia

As paralisações e temores provocados pela pandemia da Covid-19 afetaram muitos aspectos da assistência médica de rotina, especialmente para mulheres mais velhas, justificadamente preocupadas com a exposição ao vírus Sars-Cov-2 em um ambiente médico. Embora muitas instalações já tenham criado “espaços seguros” para retomar os exames pessoais, alguns dos adiamentos resultantes dos exames de rotina podem ter um grande impacto na gravidade de uma doença não detectada ou não tratada e, às vezes, até nas chances de sobrevivência.

 

Uma delas é a mamografia de rastreamento, especialmente para mulheres com 75 anos ou mais, um grupo que recebeu conselhos conflitantes durante anos sobre a necessidade e a frequência ideal de exames de mama de rotina.

 

Por um lado, não há como negar que o câncer de mama se torna cada vez mais comum à medida que as mulheres envelhecem e que encontrar essa doença em seus estágios iniciais normalmente resulta em um tratamento mais simples e eficaz.

 

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Por outro lado, algumas mulheres mais velhas podem ficar melhor se nunca souberem que têm câncer de mama porque provavelmente morrerão por outro fator antes que um câncer de mama não diagnosticado e não tratado ameace suas vidas. Mesmo assim, uma vez que uma mulher é informada de que tem câncer de mama após uma mamografia de rotina, ela enfrenta uma decisão sobre o tratamento que pode ter um impacto negativo em seu bem-estar físico e emocional.

 

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Como fator complicante, destaca-se a dificuldade atual dos especialistas em câncer de dizer quais cânceres de mama encontrados em uma mamografia podem não justificar qualquer tratamento porque têm crescimento lento demais para ser fatal ou podem até mesmo ter o potencial de desaparecer por conta própria.

 

Um estudo norueguês publicado em 2008 no periódico científico Jama Medicine encontrou menos cânceres de mama invasivos entre mulheres rastreadas apenas uma vez em seis anos do que entre um grupo comparável rastreado semestralmente por seis anos, sugerindo que alguns cânceres detectados por mamografia no último grupo teriam regredido espontaneamente.

 

Embora a incidência e a mortalidade associadas ao câncer de mama aumentem com a idade, existem algumas evidências que sugerem que, em geral, a doença em mulheres mais velhas tende a ser menos agressiva e com maior probabilidade de ter um prognóstico favorável. Agora é possível obter um teste genético chamado Oncotype DX que prevê o risco de recorrência do câncer de mama e a provável resposta da doença à quimioterapia.

 

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Dadas as diretrizes conflitantes e estatísticas confusas, tomar uma decisão racional sobre o rastreamento pode ser bastante desafiador, especialmente para mulheres que conhecem outras pessoas com câncer curável em idade avançada. Três das minhas amigas com mais de 70 anos descobriram que tinham câncer de mama pouco antes ou durante o bloqueio pandêmico - deixando-me uma mulher de 79 anos sobrevivente de um câncer de mama há 21 anos - desconfortável por pular meu exame anual, que agora agendei para setembro.

 

As diretrizes da Sociedade Americana de Câncer para mulheres que correm risco de desenvolver câncer de mama recomendam iniciar mamografias anuais a partir dos 45 anos (40 anos se a mulher preferir), mudando para uma mamografia a cada dois anos (ou continuando com uma por ano, se preferir) aos 55 anos, sucedendo todo ano ou uma vez a cada dois contanto que esteja saudável o suficiente a ponto de ter uma expectativa de vida de 10 ou mais anos.

 

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos, no entanto, recomenda interromper as mamografias de rotina aos 75 anos, independente da expectativa de vida restante da mulher. No entanto, existem outras diretrizes profissionais que recomendam a continuação dos exames para mulheres com boa saúde em geral e com expectativa de vida de pelo menos cinco anos.

 

Pró-Mulher | Clínica de Saúde

 

Além disso, há dados de uma análise de 763.256 exames de mamografia feitos entre 2007 e 2017, que encontraram câncer em 3.944 mulheres, 10% das quais tinham 75 anos ou mais. A autora do estudo, Dra. Stamatia Destounis, radiologista da Elizabeth Wende Breast Care em Rochester, Nova York, relatou que a maioria dos cânceres em mulheres mais velhas eram invasivos e de um grau que deveria ser tratado. Quase dois terços tinham potencial para se espalhar e crescer rapidamente.

 

Destounis disse à Healthline: “Há benefícios no rastreamento anual após os 75 anos. A mamografia continua a detectar cânceres invasivos nesta população com linfonodos negativos e em estágio baixo, permitindo que essas mulheres se submetam a um tratamento menos invasivo. A idade para interromper o rastreamento deve ser baseada no estado de saúde de cada mulher e não definida por sua idade”.

 

Ao mesmo tempo, a longevidade feminina aumentou e as mulheres estão gastando mais desses anos adicionais de forma produtiva e com saúde razoavelmente boa. Para elas, disse Destounis, encontrar cânceres invasivos precoces que podem ser tratados com cirurgia mínima e terapia pós-operatória pode significar muito para as pacientes, suas famílias e comunidade.

 

MAMAS – Dr. Douglas S. Fraga

Fotos: Reprodução

 

Ainda assim, há um fato que todas as mulheres mais velhas devem saber. Como pontua Diana Miglioretti, bioestatística da Universidade da Califórnia: “Não há evidências de ensaios clínicos randomizados sobre se o rastreamento de mulheres com 75 anos ou mais reduz a mortalidade por câncer de mama. As evidências sugerem que os benefícios do rastreamento não são vistos até 10 anos depois”. Diana diz que também há um risco de sobrediagnóstico que aumenta com a idade, ou seja, encontrar um câncer que não teria prejudicado a mulher em sua vida.

 

Em uma entrevista, a Dra. Mara A. Schonberg, interna do Beth Israel Deaconess Medical Center em Boston, reforçou as preocupações de Miglioretti: “Superdetecção em mulheres mais velhas é um problema, encontrar um câncer de mama nem sempre é bom. São necessários pelo menos 10 anos de rastreamento em mil mulheres de 50 a 74 anos para evitar uma morte por câncer de mama e, provavelmente, mais tempo em mulheres com mais de 75 anos nas quais o câncer de mama tende a ser mais indolente. Não está claro se todo o tratamento agressivo que as mulheres mais velhas recebem é necessário.”

 

Além disso, segundo Schonberg, em mil mulheres com idades entre 75 e 84 anos que continuam a fazer mamografias por cinco anos, cem receberão alarmes falsos, criando ansiedade e gerando uma série de testes que não detectam o câncer. Com a mamografia contínua, dentro de cinco anos, três dessas mulheres mais velhas morrerão de câncer de mama, contra quatro mulheres que não realizaram o exame.

 

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Para colaborar na decisão de mulheres acima de 75 anos sobre a necessidade de mamografias regulares, Schonberg e sua equipe criaram um auxílio, disponível em inglês e espanhol. O projeto faz dez perguntas sobre idade e estado de saúde, incluindo peso, capacidade física, tabagismo e doenças preexistentes. Quanto mais baixos forem os riscos para a saúde de uma mulher, menor será sua pontuação e maior será a probabilidade de uma mamografia ajudá-la a viver mais.

 

O Globo

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