14 de Junho de 2024 - Ano 10
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Política
19/05/2024

Crítica: Oliver Stone escolhe um lado para falar sobre Lula em filme

Foto: Reprodução

Dirigido por Oliver Stone, o documentário Lula estreou em Cannes neste domingo (19/5) e aposta em uma visão particular do cineasta

Cannes (França) – Para conhecer o alinhamento político de artistas, basta assistir à arte que criaram. O co-diretor de Lula, Oliver Stone, dirigiu Platoon e Nascido em 4 de Julho, em que criticou a Guerra do Vietnã; W., no qual debochou do ex-presidente George W. Bush; e Snowden: Herói ou Traidor, uma biografia do ex-funcionário da CIA que vazou documentos sigilosos que expuseram a espionagem norte-americana contra o Brasil. Não é preciso conhecer matemática avançada para concluir, portanto, qual é o objetivo do realizador e do estreante Rob Wilson com este documentário sobre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

 

Pelo contrário, desde o início da narrativa, quando discutem a Onda Rosa, o termo pelo qual ficou conhecida a eleição de políticos alinhados à centro-esquerda na América Latina (ex. Hugo Chávez, Evo Morales, os Kirchner etc.), Oliver e Rob são honestos quanto à parcialidade do retrato que farão de Lula. Não há nada de errado no documentário ser parcial, contanto que assuma isso e e não induza o público a pensar o contrário.

 

É um retrato para gringo assistir, digamos assim, pois os pouco mais de 90 minutos não proporcionam nada, ou praticamente nada de novo sobre Lula. Além do mais, a duração exige a compactação de mais de 7 décadas de história no documentário. O presidente chora a morte da ex-esposa, Marisa Letícia, em não mais do que um minuto, antes de passar a aspecto outro que os diretores consideram ser relevante.

 

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A narrativa é organizada em torno da entrevista de Lula, realizada antes da eleição, e entrecortada com imagens de arquivo que levam o espectador à Caetés, em 1945, local e data onde Lula nasceu, filho de uma mãe analfabeta, tendo conhecido o pai só aos 7 anos, após seu retorno de São Paulo. Aí a trama a engrena, Lula torna-se sindicalista, funda o Partido dos Trabalhadores, é derrotado em 3 eleições antes de ser eleito presidente por dois mandatos, elege a sucessora, é investigado, julgado, condenado, preso, é solto da prisão, disputa e vence a eleição de 2022. Os acontecimentos parecem caixas de marcação que a direção usa para dar a dimensão histórica e factual do presidente, embora haja aprofundamentos.

 

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Tal escolha é perceptível em relação à Operação Lava Jato. Parece ser compreensível, pois a tese que estrutura o documentário é a de que os Estados Unidos interferiram na democracia de países da América Latina — tal como fizeram no século passado, nas ditaduras militares — como retaliação pelo não ingresso na Alca (Acordo de Livre Comércio nas Américas). Aliás, o conhecimento de Oliver Stone a respeito de Edward Snowden parece ajudar o co-diretor a trilhar, com profundidade, este caminho. Por falar nos EUA, é até inusitado Lula explicar que teve uma relação comercial melhor com o republicano George W. Bush do que teve com o democrata Barack Obama, a despeito do alinhamento noutras pautas.

 

Fonte: O Poder360

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