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Internacional
30/05/2020

Em vez de apaguizar, Trump inflama o país

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Foto: Alyssa Pointer / Atlanta Journal-Constitution / AP

Viatura policial em chamas após protesto em Atlanta pela morte de George Floyd

 O presidente que reage à convulsão social com uma citação proferida por um chefe de polícia racista na década de 1960 -- “quando os saques começam, os tiros começam” -- diz claramente de que lado está. Mais uma vez, Donald Trump não apazigua, mas inflama e aprofunda as divisões no país.

 

As imagens do policial Derek Chauvin ajoelhado sobre o pescoço de George Floyd durante angustiantes nove minutos reavivaram um histórico de tensões raciais muito familiar aos americanos. Em quatro dias, os protestos se alastraram pelo país, como se não houvesse pandemia e juntaram multidões. Não por acaso, desta vez, chegaram rapidamente nos portões da Casa Branca.


Seu inquilino já se posicionou em episódios semelhantes, clamando pela retórica da lei e ordem e ameaçando mandar a Guarda Nacional às cidades voláteis. Trump não poupou termos que, como o Twitter definiu, glorificam a violência.

 

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Quando manifestantes armados com fuzis protestaram pelo fim da quarentena em Michigan, o presidente os reverenciou como “pessoas boas”. Agora que manifestantes desarmados saíram às ruas para denunciar a violência policial racista em Minneapolis receberam o rótulo de bandidos.

 

Há dois anos, Trump culpou os dois lados pelos confrontos provocados pelas marchas de supremacistas brancos em Charlottesville, na Virgínia. Em 1989, ele rapidamente voltou-se contra os cinco jovens negros condenados injustamente pelo estupro de uma mulher branca no Central Park. E nunca se desculpou por isso.

 

 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, na quinta-feira (28) — Foto: Reuters/Jonathan Ernst

Foto: Reuters / Jonathan Ernst

 

No ano em que dava como praticamente certa a sua reeleição, o presidente está enredado numa pandemia que matou mais de 100 mil americanos e numa crise econômica comparada à Grande Depressão. Põe o dedo na ferida racial, com anuência de seu partido, e depois simula um recuo.

 

Na tarde desta sexta-feira, ele convocou uma entrevista coletiva para anunciar que cortou relações com a Organização Mundial de Saúde e criticar a China. Ignorou os distúrbios que mobilizavam os americanos mais intensamente do que a pandemia. Como observou o colunista Max Boot, do “Washington Post”, “o presidente está derramando gasolina nas chamas da divisão racial, e o Partido Republicano está segurando o galão para ele.”

 

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Ao repetir a frase do chefe de polícia Walter Headley, de Miami, que em 1967 prometeu responder com tiros se houvesse saques em bairros habitados em sua maioria por negros, Trump mostra a quem quer agradar em momentos de tensão racial.

 

G1

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