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14/01/2020

O que é a psicanálise? Entenda de uma vez por todas o que Freud explica. CONFIRA!

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Foto: Reprodução

Freud

 A psicanálise é uma disciplina do campo da psicologia desenvolvida na virada do século XIX para o XX pelo médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939).

 

Para o "pai da psicanálise", essa disciplina deve ser entendida a partir de uma tripla definição:

 

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É um processo de investigação dos pensamentos inconscientes.


É um método terapêutico para o tratamento das neuroses.


É uma nova disciplina científica (ou área do conhecimento) especializada na mente humana.


Assim, vemos que a psicanálise freudiana não se restringe ao estudo de determinado objeto, como faz um ramo científico qualquer. Ela também é um tipo de terapia que dispõe de métodos específicos, que por sua vez são baseados nos resultados de investigações de determinados processos mentais.

 

Achou complicado? Vejamos com mais calma o que diz a psicanálise e como ela surgiu.

 

Afinal: o que Freud explica?

 

 

Se pudéssemos resumir em poucas palavras a revolução da teoria de Freud, diríamos que ele descobriu que, em se tratando da mente humana, nada é por acaso. Tudo tem algum sentido. Tudo tem uma explicação.

 

Pesadelos estranhos que nos deixam assustados pela manhã. Sintomas nervosos, como tremores repentinos ou crises de ansiedade. Atos falhos, como uma confusão entre palavras na hora de falar ou escrever. Distúrbios. Neuroses.

 

A explicação para todas essas coisas pode estar dentro de cada um de nós. O que Freud fez foi tentar explicá-las com base em uma teoria inovadora, que revolucionou a história do pensamento do século XX.

 

História da psicanálise

 

 


A psicanálise surgiu justamente da necessidade de buscar explicações para certos mistérios da medicina. A história da psicanálise começa com o enigma da histeria: afinal, qual a causa das inúmeras queixas mentais e físicas dos pacientes? Alguns reclamavam de paralisias de partes do corpo, surdez parcial, tremores, perdas de memória...

 

Antes de Freud, o neurologista francês Jean Charcot (1825-1893) já havia constatado que esses sintomas histéricos eram determinados por causas psicológicas. Isso quer dizer que não havia explicações anatômicas para esses sintomas.

 

Por exemplo: a anestesia de uma das mãos, um dos sintomas histéricos observados, não tinha origem em alguma lesão do nervo, mas na própria mente do paciente.

 

A partir disso, Freud, em parceria com Josef Breuer (1842-1925), descobriu que os sintomas histéricos eram na verdade maneiras de manter certas memórias escondidas.

 

Sim, por mais estranho que possa parecer, há inúmeras recordações dentro de nós das quais não nos damos conta. E essas recordações fazem parte daquilo que somos, como pensamos, sentimos e agimos.

 

Durante as sessões de terapia, Freud e Breuer estimulavam seus pacientes a dizer tudo o que lhes vinha à cabeça. Para os médicos, o tratamento dos sintomas da histeria dependia da liberação da recordação do incidente que deu origem à doença. Recordar fazia com que os pacientes se sentissem melhor.

 

Teoria do Inconsciente: o "outro eu"

 

 

Você já deve ter ouvido falar de inconsciente ou subconsciente. Pois saiba que quem inventou esse conceito tal como o conhecemos hoje foi Freud.

 

Como já dissemos, Freud e Breuer, ao longo das sessões com seus pacientes, notaram que certas memórias custavam a vir à tona. Ou seja: havia algum tipo de resistência por parte do paciente para trazer à consciência determinadas recordações. Quanto maior a resistência em recordar, maior a carga emocional da lembrança.

 

Mas tem uma coisa estranha nessa história. A gente já sabe, de acordo com as descobertas de Freud e Breuer, que a recordação é benéfica ao paciente. A liberação das emoções associadas aos traumas do passado faz com que o paciente se sinta melhor. Então por que há resistência em recuperar certas memórias?

 

Porque forças poderosas não o permitem, deixando esses conteúdos, essas memórias, reprimidas ou recalcadas. O recalcamento é uma espécie de mecanismo de defesa pelo qual o indivíduo mantém essas memórias inconscientes - ou seja: fora da consciência.

 

Assim, o inconsciente é onde ficam armazenadas essas ideias reprimidas. É esse "outro eu" do qual não temos consciência, mas que exerce enorme influência sobre os nossos atos diariamente.

 

Há momentos do nosso dia a dia em que esses conteúdos reprimidos se mostram com mais clareza. É como se o inconsciente "gritasse", podendo ser "ouvido" por quem está atento. As falhas de memória ou de fala e os sonhos seriam motivados pelo inconsciente. Por isso, sua análise costuma ser levada em conta pelos psicanalistas.

 

As três forças da personalidade humana

 

 

A nossa personalidade, segundo a teoria freudiana, é formada por 3 forças:

 

1. Id

 


Muitas vezes chamado de instinto, o id pode ser resumido como a nossa parte mais primitiva, que só atende à lei do prazer. Diante de um desejo, o di dirá: "Vai lá e satisfaz! Agora!". Quando nascemos, somos um pequeno e fofinho id.

 

2. Ego

 


À medida que crescemos, forma-se o ego. Ele é resultado do confronto dos desejos do id e a realidade, que nem sempre corresponde aos nossos desejos. O ego pode ser definido como um sistema que se origina das reações ao mundo real. Essas reações operam uma conciliação entre os desejos do id e o mundo a nossa volta.

 

3. Superego

 


O superego são as regras e censuras que nós internalizamos ao longo do processo de socialização. São as regras sociais, os tabus, as proibições, que aprendemos desde pequenos a partir do convívio em família. O superego é formado na infância.

 

Assim, o ego se encontra no meio de um tiroteio pesado: de um lado, as solicitações do id, dos desejos, dos impulsos primários; de outro, as censuras de um juiz rigoroso e implacável, que não costuma perdoar nem a mais leve das infrações. Essa relação entre id e superego tende a ser bem conflituosa. E essa guerra acontece dentro de cada um de nós.

 

Para entender melhor o inconsciente

 

 


Agora ficou mais fácil entender como ocorre o processo de recalcamento de que falávamos um pouco antes. Tem a ver com esse conflito interior entre os nossos desejos e as proibições que vêm de fora e que acabamos incorporando como nossas.

 

Tudo isso nos leva aos primeiros anos de vida de uma pessoa. É na infância que acontecem os eventos mais importantes que vão definir a nossa personalidade. É nessa fase da vida que os desejos do id são recalcados.

 

Sabe aquele castigo que o pai impõe ao filho? Uma cara de reprovação ou uma advertência: "Isso é feio! Muito feio!". Essas ameaças externas geram ansiedade.

 

E toda vez que a criança fizer ou apenas pensar nessas coisas "feias", ainda que um adulto não esteja por perto, ela sentirá essa mesma ansiedade, seguida do medo da perda do amor.

 

Ninguém gosta de sentir ansiedade, não é mesmo? Por isso recalcamos ou reprimimos esses desejos e as memórias associadas a eles. Tudo isso é mantido afastado da consciência.

 

Complexo de Édipo

 

 

Em 1897, Freud escreveu o seguinte:

 

Encontrei em mim e por todo lado sentimentos de amor em relação à minha mãe e de ciúme em relação ao meu pai, sentimentos que são, penso eu, comuns a todas as crianças.

 

O Complexo de Édipo pode ser resumido em duas palavras: amor e ódio. O nome se deve ao mito do rei de Tebas que acabou cometendo dois crimes horrendos: matou o pai e casou-se com a mãe. Diz Freud que, por volta dos três anos, o menino deseja possuir psiquicamente a mãe.

 

Sim, é isso mesmo: estamos falando de desejos sexuais em crianças. Esse é um dos motivos pelos quais a psicanálise gerou tanta polêmica na época em que surgiu. O desejo pela mãe é acompanhado pela rivalidade com o pai, que representa um obstáculo ao desejo do menino.

 

Na sequência, surge o receio em relação ao pai, que é maior e mais forte. Trata-se da ansiedade de castração. O ódio ao pai é então reprimido. E a ansiedade cada vez maior leva o garoto a desistir do embate, o que significa desistir de seu objeto erótico. A fase seguinte será de identificação com a figura do pai.

 

Complexo de Electra

 

Fotos: Reprodução


No caso do desenvolvimento da menina, Freud observa algumas diferenças em relação ao Complexo de Édipo. Aqui o desejo erótico seria voltado para o pai. E o ódio, por sua vez, à mãe. Na mitologia grega, Electra, filha de de Agamemnon e Clitemnestra, deixa-se levar pelo ódio e induz seu irmão Orestes a matar a mãe.

 

Claro que também para a menina o primeiro vínculo ou primeiro objeto de amor é a mãe, já que é ela que a amamenta. Mas isso muda com o passar do tempo.

 

Para Freud, a mudança ocorre quando a menina se dá conta de que não possui pênis. A falta do falo gera inveja. Ela também quer ter um. E pelo fato da mãe também não ter um pênis, acusa-a por essa falta.

 

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Hoje em dia há muitas críticas ao Complexo de Electra. Alguns estudiosos consideram essa teoria menos aceitável que a versão masculina. Para os críticos, a inveja do pênis e o consequente ódio da mãe seriam ideias pouco convincentes.

 

Hiper Cultura

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