25 de Junho de 2022 - Ano 8
NOTÍCIAS
Mulher
10/04/2022

OPINIÃO: Direito da mulher precisa ser uma pauta permanente, inclusive na eleição

Foto: Reprodução

* Por Lúcio Carril - Não entendo nada de marketing eleitoral, portanto minha posição é de sociólogo e de cidadão.

 

Lula está certo ao dizer que aborto é um problema de saúde pública. Na verdade, esta constatação não é dele, é do ministério da saúde e da ciência. Ou alguém vai negar que morrem centenas, ou milhares de mulheres por ano no Brasil por abortos feitos em fundo de quintal ou por ingestão de remédios?

 

Ou será se vai aparecer um filho ou filha de Deus que desconheça o fato de mulheres das classes médias e de famílias ricas fazerem abortos em clínicas particulares, com todos os cuidados e assistência médica?

 

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Pois é. A mulher pobre sofre e morre. Para quem tem grana, tudo é legal e seguro.

 

Ora, o direito ao aborto já existe, mas só para quem tem dinheiro. A mulher trabalhadora, dona-de-casa, operária, continua morrendo, sem direito ao seu corpo. Como se não bastasse seu corpo ser objeto da extrema exploração no trabalho, da opressão patriarcal e da desigualdade social.

 

Problema moral? Religioso?

 

Santa hipocrisia.

 

Quem nesta existência, seja homem ou mulher, não esteve um dia diante de uma gravidez indesejada?

 

Não sejamos cínicos e hipócritas ao ponto de tratar um problema de muitos com a indiferença de uma mosca.

 

É preciso sim colocar na pauta social e política deste país o direito da mulher ao seu corpo e enfrentar o debate sobre o aborto. O direito à vida deve começar pelo direito à vida da mulher, em toda sua dimensão.

 

Mulheres não podem continuar morrendo por indiferença do poder público. Há um problema e precisamos enfrentá-lo. 55 países no mundo já resolveram isso, tratando o aborto como uma questão de saúde pública. O Brasil precisa dar esse passo à frente.

 

Não existe ninguém que defenda o aborto, mas ele é uma possibilidade e uma realidade. O que não pode é alguém sobrepor sua moral e sua fé a um problema que só existe para a parcela excluída da sociedade. Aí é ajudar a desigualdade social.  

 

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*Lúcio Carril é sociólogo, ex-secretário executivo da Secretaria de Política Fundiária do Estado do Amazonas, ex-delegado federal do Ministério do Desenvolvimento Agrário e especialista em gestão e políticas públicas pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo.

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